quinta-feira, 24 de maio de 2018

Notícia - Falta investimento para que Portugal ganhe “preponderância” no setor agrícola, diz diretor-geral da Vitacress


A falta de investimento é razão pela qual Portugal “ainda não tem preponderância” no setor agrícola. Quem o diz é o diretor-geral da Vitacress, Luís Mesquita Dias, que em declarações à Lusa afirma que durante muitos anos, a agricultura nacional esteve “bastante abandonada”.

O responsável da Vitacress acrescenta ainda que Portugal “nunca terá capacidade para grandes quantidades” de produção para competir com países que produzem em maiores volumes, contudo, poderá distinguir-se “através da aposta na qualidade dos produtos”.

“Faltam ainda muitos recursos para apostar nos mercados externos. As presenças [internacionais] custam muito dinheiro e, se compararmos o nosso setor ao do vinho, os investimentos [do setor vinícola] são muitíssimo superiores aos que os hortofrutícolas fazem e, no entanto, os hortofrutícolas exportam quase o dobro que o vinho”, defendeu.

O diretor-geral da Vitacress diz ainda que as ações realizadas no país demonstram que Portugal “tira partido do dinheiro investido no mercado”, mas se houvesse um incremento nos investimentos “os resultados seriam melhores”.

https://www.vidarural.pt/producao/falta-investimento-para-que-portugal-ganhe-preponderancia-no-setor-agricola-diz-diretor-geral-da-vitacress/

Paulownia: uma boa alternativa para a nossa floresta?


A Paulownia Tomentosa, espécie permitida em Portugal, é uma árvore de crescimento rápido e as suas utilizações são múltiplas, desde a madeira à biomassa, passando pelo mel e forragem para o gado. José Bernardino do ICNF de Castelo Branco considera-a “potencialmente interessante para zonas de proteção dos aglomerados populacionais e outras faixas de redução de combustíveis, e também em terrenos agrícolas abandonados”.
O técnico do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) falava no colóquio: “Paulownia – A árvore do futuro em Portugal?”, organizado pelo Centro Ciência Viva da Floresta, em Proença-a-Nova, a 11 de novembro, onde afirmou que Portugal tem “potencialidade e capacidade para aceitar outras espécies que não as que existem”, acrescentando que “a Paulownia, árvore originária da Ásia, é uma das espécies que podemos cada vez mais equacionar numa região como esta [distrito de Castelo Branco], ainda por cima sabendo os problemas sanitários que as outras espécies têm”.

José Bernardino salientou que “neste momento, como esta é uma espécie exótica e nova ainda não tem qualquer problema fitossanitário”, adiantando: “Falamos apenas de Paulownia Tomentosa porque é a única que se enquadra no Decreto-Lei 565/99 que regulamenta a introdução de espécies exóticas no País”.

Por seu lado, em declarações à VIDA RURAL, o gerente da Neres & Neres, também de Castelo Branco, que vende plantas de Paulownia Tomentosa – salienta que esta árvore produz “uma madeira nobre, muito leve, e ao fim de oito anos cada árvore dá cerca de 1,3m³ de madeira e regenera-se cerca de oito vezes”. José Neres tem uma empresa dedicada à Paulownia em Marrocos já há cinco anos e trabalha há cerca de ano e meio no nosso país em conjunto com a Paulownia DF Portugal (Mangualde), empresa que faz a propagação da planta em laboratório e também as comercializa.

O gerente desta empresa diz-nos que tem sócios holandeses (uma vez que viveu naquele país durante 43 anos), sendo que um deles é negociante de madeira de Paulownia há mais de 30 anos e trabalha em cerca de 11 países. Manuel Duarte frisa que “há plantações de Paulownia em vários países europeus, como Espanha e França, onde a sua implantação tem vindo a crescer, inclusive de outras espécies, como a Paulownia Elongata, que até cresce mais rápido e dá melhor rendimento”, por isso, acrescenta: “vamos continuar a tomar diligências para que esta espécie também possa ser plantada em Portugal”.

A empresa de Manuel Duarte tem viveiros em Mangualde, “principalmente para armazenarmos as plantas quando vêm dos laboratórios, porque os clones selecionados de melhores plantas são propagados em dois laboratórios – um em Lisboa e outro na Holanda”, assegura que “já temos cerca de 500 mil árvores de Paulownia plantadas em Portugal, de Monção a Faro e da fronteira espanhola até ao mar” e se a procura continuar admite “fazer um outro laboratório em Mangualde, onde poderemos criar mais empregos”.

O responsável diz que “a planta prefere solos com ph entre os 5,5 e os 8 – o que cobre cerca de 80% do território nacional –, adaptando-se bem aos diversos tipos de terreno” devendo apenas haver o cuidado de não a plantar no inverno em zonas sujeitas a encharcamento. Um dos constrangimentos é que “para ter um crescimento ótimo, a Paulownia deve ser regada, idealmente, nos dois primeiros anos”.

A questão da rega foi precisamente um dos pontos apontados pelo dono de uma das plantações da zona de Proença-a-Nova que a VIDA RURAL visitou, no Pucariço, com cerca de seis meses. Bernardino Antunes disse estar “muito satisfeito com o crescimento das plantas, tenho plantas com quase dois metros”, mas dá algum trabalho e requer algum investimento trazer para aqui bidões de mil litros para as regar”. Mas, salienta “mesmo assim acho que foi uma boa opção, olhe à sua volta e está tudo ardido aqui num incêndio que houve há dois anos e quando procurei alternativas o Eng. Neres convenceu-me”.

Manuel Duarte esclarece, no entanto, que as necessidades de água são reduzidas: “A planta precisa de cerca de 10litros por semana no início, mas no segundo mês já pode dar só 10 litros de duas em duas semanas porque a planta deixa humidade no solo e depois vão-se espaçando cada vez mais as regas”.

O proprietário não estava, ainda assim, totalmente convencido com a indicação dada tanto por José Neres, como Manuel Duarte, de que assim que caírem as folhas todas (o que já estava a começar a acontecer à data da reportagem no final de novembro) as árvores devem ser cortadas a 5cm do solo para depois rebentarem e crescerem muito mais fortes e ainda com mais rapidez. Manuel Duarte assegura que “daqui por um ano, se entretanto se for também podando de maneira a ficar só o tronco principal, terá árvores com nove metros de altura”. Para garantir que tudo será feito como deve ser, o gerente da Paulownia DF Portugal acabou por oferecer ao Sr. Bernardino Antunes a sua equipa que anda no terreno a fazer este trabalho – principalmente nas plantações de mais de 1 hectare, uma vez que o acompanhamento técnico está incluído no contrato, bem como a compra da madeira resultante do primeiro corte, aos oito anos. “Asseguramos todo o acompanhamento e a compra da madeira a um excelente preço no mercado (900€/m³), isto nos contratos que temos principalmente para plantações acima de 1ha, mas como é uma árvore nova, as pessoas não sabem como fazer e por vezes desconfiam do que lhes dizemos, como queremos que tudo corra bem, acabamos por dar assistência a praticamente todos os nossos clientes”.

Carlos Gonçalves, empresário da Europoste, investiu numa plantação com 3 hectares, em Sarnadas, Vila Velha de Ródão e explica-nos o porquê da escolha desta árvore: “Como sabe estou ligado às madeiras, principalmente ao pinho, porque faço estacas de madeira para vedações, como não queria colocar eucalipto optei por esta árvore. Se calhar foi um devaneio porque estava previsto gastar dez mil euros e já gastei trinta mil, mas gosto de apostar em coisas em que os outros não apostam. Mas não estou arrependido, até vou fazer mais plantação, possivelmente no terreno ao lado”, adiantando que “o objetivo é a venda da madeira mas também colocar colmeias para aproveitar o mel”.

O responsável da Neres & Neres salienta que “é proibida a venda de semente destas árvores em Portugal, para evitar que a planta se torne invasora, apenas podem ser transacionadas em clones que vendemos com cerca de um mês, prontos a plantar”, adianta.

José Neres e Manuel Duarte reforçam o que o técnico do ICNF disse no colóquio em Proença-a-Nova: que apesar de a produção de madeira ser um dos objetivos mais apetecíveis devido ao facto de ser muito leve (0,25/0,30 de densidade) mas forte e resistente, há muito usos para ela, como a biomassa, a utilização da folha como forragem para o gado ou até mesmo para chá, e o uso da flor para mel, que também é muito valorizado, ou para a indústria da cosmética.

“Tenho até vários clientes no Alentejo que pretendem melhorar o pasto para os animais, criando mais zonas de sombra e aproveitando também a folha”, explica-nos Manuel Duarte.

Paulownia: uma boa alternativa para a nossa floresta?
“Ao fim de oito anos cada árvore dá cerca de 1,3 m3 de madeira e regenera-se cerca de oito vezes”, diz José Neres

José Neres refere ainda duas caraterísticas desta árvore que, “a tornam numa excelente opção: é amiga do ambiente porque liberta dez vezes mais oxigénio do que as outras, consumindo 27,8kg de CO2 por dia e tem uma enorme resistência ao fogo uma vez que o ponto de ignição é acima dos 400°”. Além disso, a bibliografia também afirma que regenera os solos e que é resistente a temperaturas extremas (de -17° a 45°) bem como a secas moderadas (um-dois anos).

Para a utilização de biomassa podem plantar-se até cerca de 1.600 árvores por hectare e efetuar o primeiro corte aos dois/três anos e para madeira a plantação pode rondar as 600/800 árvores/ha, com o primeiro corte a ser feito em torno dos oito anos.

Pasta de papel?

Sobre a possibilidade de a Paulownia poder ser usada também para o fabrico de pasta de papel, Manuel Duarte garante que isso já acontece em alguns países e que “a qualidade é muito boa”.

Há vários estudos neste sentido mas existe um (realizado por uma aluna de mestrado da Universidade de Aveiro em 2009, Catarina Cardoso Novo), que analisou o Cozimento e Branqueamento da Pasta Kraft da Paulownia (Elongata), mostrava que esta madeira tem potencial para a indústria da pasta de papel.

Todavia, Carlos Vieira, diretor-geral da Associação da Indústria Papeleira (CELPA), ressalvando que conseguiu obter muito poucas informações sobre a Paulownia, referiu que dada a baixa densidade desta madeira a quantidade necessária para obter a pasta tornaria o seu custo inviável, salientando que melhor opção seria a venda de madeira para usos nobres.

Voltando ao colóquio que teve lugar no Centro Ciência Viva e da Floresta, em Proença-a-Nova, e sobre a necessária restruturação da nossa floresta José Bernardino salientou que “temos de saber produzir riqueza e na floresta o curto prazo são dez anos”, adiantando que “gostamos todos muito da floresta mas a realidade é que qualquer empresário só faz floresta se lhe der rendimento” e “esta é uma espécie que me tem aberto horizontes”.

Paulownia: uma boa alternativa para a nossa floresta?
Bernardino Antunes disse estar “muito satisfeito com o crescimento das plantas. Tenho plantas com quase dois metros”, com seis meses

O técnico do ICNF lembrou ainda que “sendo um híbrido estéril propaga-se por via vegetativa, por isso não há semente” e como “são árvores que têm folhas muito grandes e que têm grande valor nutritivo [a bibliografia fala em cerca de 20% de proteína], podem constituir um bom suplemento alimentar para os animais. Porque na nossa zona, por exemplo, temos muitos sobreiros e azinheiras mas só podemos fazer podas destas árvores a partir de 1 de novembro”.

Mas frisa José Bernardino, “não esqueçam que é uma arborização e segundo a Lei 77/2017, que vai entrar em vigor a 17 de fevereiro de 2018, qualquer ação de arborização (em terreno que nos últimos dez anos não tenha tido qualquer ocupação florestal) ou rearborização carece de autorização, sendo gratuita a submissão destes processos ao ICNF, mas necessário ser feita por um técnico florestal”.

O técnico explicou que o pedido de autorização é obrigatório em todas as áreas ardidas; nas restantes estão isentas de pedido apenas as áreas inferiores a 0,5 hectare e onde que não haja outras espécies em redor; exige-se apenas uma comunicação nas áreas entre 0,5 hectare e 2ha; daí para cima requer sempre autorização.

Paulownia
-Árvore originária da Ásia, de folha caduca

– Regenera-se facilmente após corte, até oito vezes

– Resiste a condições de seca moderada uma vez desenvolvida (1-2 anos)

– Resistente ao frio (-17°C) e ao calor (+45°C)

– Permite a redução do efeito de estufa por sequestro de carbono

– Descontaminação do solo (nitratos, nitritos, arsénio, metais pesados,…)

– Uma única árvore pode fornecer 1m3 de madeira em 8 anos

– Resistente a pragas, doenças e adaptável a diferentes tipos de solos e climas

– Produz madeira, biomassa, mel, fertilizante natural e forragem para os animais

– Permite a reabilitação de locais poluídos, explorados em excesso ou abandonados

– Regenera o solo, luta contra o deslizamento das terras e permite a cultura intercalar

Madeira:

– A sua temperatura de inflamação é elevada

– Ponto de ignição acima de 400°C

– Muito leve (0,25 a 0,30 de densidade)

– Forte e resistente

– Seca rapidamente, não racha, não entorta e é fácil de manipular

https://www.vidarural.pt/insights/paulownia-boa-alternativa-nossa-floresta/

Notícia - Espargos: mais houvesse, mais se venderia!


A cultura de espargos verdes é a mais recente aposta da Cooperativa Agrícola de Felgueiras. Esta estratégia, iniciada em 2013, assenta em quatro linhas principais: ocupar com eficácia pequenas parcelas agrícolas (o minifúndio é característico da região); rentabilizar o investimento nas câmaras frigoríficas, utilizadas basicamente na conservação de kiwis; fugir à vaga das plantações de cogumelos e frutos vermelhos; e lançar no mercado um produto diferente, fresco, com escoamento assegurado.
Rui Pinto, diretor da Cooperativa Agrícola de Felgueiras, faz à VIDA RURAL um balanço muito positivo desta aposta. Este ano, os 15 produtores  de espargos verdes associados à cooperativa deverão produzir entre 10 a 12 toneladas, o que significa que vão duplicar a produção face a 2016. Rui Pinto garante que se houvesse mais espargos verdes, mais se venderia. E dá o exemplo de uma encomenda de uma palete de espargos (800 quilos) que chegou da Holanda e à qual não foi possível dar resposta. “Este ano, toda a gente quer comprar espargos”, sublinha.

Não faltará espaço para crescer. A proximidade com os grandes centros de consumo europeus é uma boa arma para combater a concorrência dos espargos oriundos do Peru e do México, que não conseguem garantir a mesma frescura. Já a China, também forte produtora, exporta para a Europa espargos em conserva e processados. E no mercado nacional está quase tudo por fazer. Longe de ter um grande consumo, Portugal é ainda assim um importador, cifrando-se a conta em cerca de um milhão de euros por ano.

O responsável quer ver mais produtores a investir nesta nova cultura na região. Contudo, essa expansão deve ter sempre em conta a vertente oferta/procura, alerta, nomeadamente para que haja boa remuneração ao produtor e não se caia em erros como já sucederam com outras culturas. Atualmente, os 15 produtores de espargos verdes têm um total de 22 hectares plantados e Rui Pinto assegurou já para a próxima época encomendas de garras (as raízes) para mais três hectares. “Queremos um crescimento sustentado, que a remuneração ao produtor seja boa”, frisa.

A Cooperativa Agrícola de Felgueiras quer também fazer alguns investimentos para melhorar o processo de embalamento para comercialização. Segundo Rui Pinto, as áreas da lavagem e do corte dos espargos podem ser melhoradas. O responsável está a equacionar a compra de uma serra elétrica, de uma calibradora e também de uma pequena câmara frigorífica para agilizar todo o processo de embalamento. Investimentos que deverão ser concretizados em 2018.

Neste momento, a região está em plena colheita. São 12 semanas de apanha, que este ano tiveram início a 10 de março e que terminam em junho. Como salienta Rui Pinto, a 10 de março “já tínhamos espargos para comercialização e os espanhóis [grandes produtores] ainda não”. Esta antecipação, fruto do aumento das temperaturas nessa altura, criou “uma janela de oportunidade” para escoar estes hortícolas no mercado.

A cultura do espargo exige na época da colheita um trabalho intensivo. Todos os dias é necessário cortar os espargos prontos para comercialização. O produto deverá ter 25 centímetros de altura para estar pronto para o corte, que é manual. O espargo é cortado logo cedo pela manhã e transportado para a Cooperativa Agrícola de Felgueiras até às 11h30, meio-dia. Nas instalações desta entidade é colocado no frio, para receber um choque térmico de quatro graus ao longo de duas horas. Esta fase é essencial para travar o crescimento do espargo que, de outra forma, iria continuar a evoluir dada a quantidade de água que possui. O espargo pode ficar até seis dias no frigorífico sem perder frescura.

O espargo é ainda lavado, cortado e embalado por funcionários da cooperativa, para que no dia seguinte esteja em locais tão díspares como o Mercado Abastecedor do Porto, na Estela (de onde segue para Espanha), Paços de Ferreira, em restaurantes como o Ferrugem, em Famalicão, e nos hotéis Pestana, no Porto, para além de outros pontos de venda assegurados por intermediários, como é exemplo os supermercados El Corte Inglés. De acordo com Rui Pinto, nesta altura, a cooperativa processa entre 200 a 300 molhos por dia, sendo que cada molho tem um peso de 330 gramas.

A Cooperativa Agrícola de Felgueiras tem como premissa assegurar uma boa remuneração ao produtor de espargos verdes. Na última campanha, a cooperativa adquiriu o quilo de espargos a um preço médio de 4,56 euros e para a atual Rui Pinto prevê manter o valor. Para o responsável, este “é um preço bom”, mas que exige planeamento. Um dos requisitos é não prolongar a campanha da colheita por mais de 12 semanas.

As regiões espanholas de Granada, Badajoz e Madrid são grandes produtoras de espargos e uma das estratégias para vencer no mercado, como sucedeu agora, é conseguir antecipar a colheita para garantir bom preço. A outra é terminar a colheita em junho, de forma a que a planta descanse e acumule reservas. Como explica Rui Pinto, “com o corte, a garra autoestimula-se e está sempre a produzir. Quando se deixa de cortar, a planta canaliza a energia para a raiz, para a flor…” Este processo é determinante para a saúde da hortícola. E no entretanto os espanhóis vão colocando o seu produto no mercado e o preço, seguindo a linha da oferta e da procura, cai. “Não quero estar a pagar ao produtor 1,50 euros o quilo”, sublinha o diretor da Cooperativa Agrícola de Felgueiras.

A cultura de espargos verdes não tem muita ciência. O único senão poder-se-á dizer que é a necessidade de mão-de-obra intensiva durante a colheita. É uma boa escolha para minifúndios, já que é um produto rentável mesmo para quem possua terrenos pequenos. Como conta Rui Pinto, “chegam às vezes produtores à cooperativa a perguntar o que podem fazer com meio hectare. É uma carga de lenha às costas!”

A Cooperativa Agrícola de Felgueiras está a comprar em Espanha duas variedades de garras certificadas: a Placosesp e a Darzila. Segundo Rui Pinto, são variedades que possuem garantia de sanidade e são comercializadas nas medidas standard (35 gramas) e top (75 gramas). A cooperativa também vende aos produtores garras biológicas.

A grande maioria dos produtores adquire garras standard, já com um tratamento antifúngico, que a cooperativa vende a 40 cêntimos/cada. Por hectare, a cooperativa entende que o ideal é plantar 26 mil garras, um investimento ligeiramente superior a 10 mil euros. Nas contas de Rui Pinto, é possível retirar seis toneladas de espargos por hectare ao fim de três anos. O responsável adianta ainda que o investimento do agricultor ronda os 15 mil euros por hectare – compra de garras, adubo e preparação do terreno.

A plantação deve realizar-se em março/abril, preferencialmente em solos ricos em matéria orgânica e totalmente limpos. A garra coloca-se a 25 centímetros de profundidade, numa vala com 50 centímetros – que é tapada –, e planta-se as raízes em linha. O compasso entre linhas deverá ter 1,5 metros. A Cooperativa Agrícola de Felgueiras aconselha um período de três anos para o desenvolvimento da hortícola, antes da primeira colheita. Isto para permitir o crescimento da garra e assegurar uma produção que pode chegar aos 15 anos. Nesta fase inicial, o produtor mantém o terreno limpo, livre de lesmas e caracóis, e deixa a planta crescer e realizar todo o ciclo. Curiosamente, houve épocas em que esta planta foi considerada ornamental.

Nos primeiros dois anos, a cultura de espargos carece de muita água, porque a planta está a adaptar-se, mas posteriormente as necessidades de rega diminuem muito. Como adianta Rui Pinto, a rega passa a fazer-se duas a três vezes em épocas críticas, até porque se a hortícola tiver muita água apodrece. A partir do quarto ano, a planta já vai buscar ao solo a humidade que necessita. Três anos volvidos da plantação, o terreno entra em velocidade cruzeiro, com o aproveitamento a 100% da produção.

Como é uma cultura nova na região não há a registar doenças relevantes. A principal é o alfinete (até porque grande parte destes terrenos foram campos de milho). Rui Pinto aconselha os produtores a utilizarem um inseticida nas bordaduras do terreno e sublinha que só se aplica um químico na cultura, herbicida. No final da campanha, o terreno deverá receber duas ou três toneladas de matéria orgânica e nutrientes como o fósforo, caso seja necessário, para compensar o que a planta perdeu na colheita. Em dezembro, é ‘cortada rasa’ e o terreno limpo e adubado, deixando em repouso por um período de 90 dias.

António Ferreira foi um dos produtores que, em 2013, aceitou o desafio da Cooperativa Agrícola de Felgueiras e investiu na plantação de espargos verdes. Este agricultor de Felgueiras tem o seu negócio centrado na produção de legumes (couves, grelos, alfaces, tomates, pepinos, feijão verde) e resolveu diversificar e ter mais um produto para escoar, quer para a cooperativa quer para os seus clientes de retalho tradicionais. Para já, explora uma pequena produção de 300 metros quadrados, mas quer já este ano aumentar.

Na sua opinião, a cultura do espargo é “muito fácil. De finais de fevereiro a junho colhe-se e depois deixa-se ficar até dezembro”, altura em que é necessário cortar rasa a planta. Os custos são também pequenos, dada a pouca utilização de fertilizantes e inseticidas, diz à Vida Rural. A mão-de-obra assenta muito na família, sendo que duas pessoas na época da campanha tem sido suficientes. A cultura de espargo tem essa característica, adaptar-se muito bem a minifúndios e a uma agricultura de base familiar. Quanto à utilização de água, no ano passado “pus o aspersor a funcionar nem meia dúzia de vezes”, garante.

António Ferreira admite que o preço que recebe por quilo da cooperativa “é muito bom”, para além que comercializa diretamente aos supermercados da região, seus clientes. Este produtor fatura cerca 20 a 30 mil euros por ano e os espargos permitem-lhe ter mais um produto para vender e com valor.

Albino Sérgio, produtor de vinho verde e kiwis, na Lixa, começou com meio hectare e hoje já explora dois hectares. Por estes dias, a apanha é árdua. O senhor Veloso, empregado nesta propriedade, é uma das pessoas que colhe diariamente os espargos, que já atingiram a altura certa (25 centímetros). Quando a temperatura está ideal (20 graus de dia e 10 de noite), os espargos podem crescer 12 centímetros no período noturno. Quase que se podia ver. “É um trabalho de todos os dias”, diz o senhor Veloso. Já Rui Pinto realça que na campanha pode ser necessário o trabalho de três pessoas por hectare, e é isso que encarece o projeto.

Para o arranque da cultura de espargos na região, Rui Pinto desafiou seis produtores. O responsável queria “pessoas que acreditassem” na cooperativa, que soubessem que “não íamos vender gato por lebre”. Fernando Guimarães começou com um hectare em 2013 e entretanto tem já outra pequena plantação, ainda em fase de desenvolvimento (tem dois anos). Mas este agricultor está confiante. Por estes dias, prepara mais um terreno para plantar novas garras.

Em Vizela, há um produtor associado que investiu na plantação de espargos biológicos, para o qual a cooperativa tem um mercado específico. Por sua vez, Albino Sérgio está a preparar-se para obter a certificação GlobalGap para a cultura dos espargos. Toda a sua produção de Kiwis já tem esta certificação, importante para quem quer exportar, já que é reconhecida a nível mundial. Rui Pinto reconhece que esse é o caminho, que o mercado europeu exige esta certificação, mas vê dificuldades para a maioria dos agricultores devido aos custos do processo. O GlobalGAP exige um conjunto de regras nas áreas da gestão, saúde, segurança e higiene no trabalho, gestão de resíduos e poluentes, entre outras.

Estes projetos de pequena dimensão podem receber apoios comunitários. Como adianta Rui Pinto, um investimento até 40 mil euros tem um apoio de 50%. A compra das garras, de matéria orgânica e fertilizantes, a preparação do terreno, a rega, uma moto-cultivadora são tudo custos elegíveis para financiamento. A Cooperativa Agrícola de Felgueiras é também nesta área um parceiro para os agricultores, dispondo de um gabinete que elabora as candidaturas e os pedidos de pagamento.

A produção de espargos verdes dos atuais 15 produtores associados da Cooperativa Agrícola de Felgueiras deverá chegar este ano às 10/12 toneladas. Quando começaram as primeiras colheitas, em 2015, foram recolhidas duas toneladas destes hortícolas. O número de produções em fase de colheita foi aumentando e já no ano passado retirou-se seis toneladas, com um total de nove produtores no ativo. O mercado respondeu eficazmente ao escoamento do produto. “No ano passado, escoámos tudo e mais houvesse”, diz Rui Pinto.

Espanha, grande produtor e consumidor de espargos verdes, absorve já 70% da produção dos associados da Cooperativa Agrícola de Felgueiras. Os molhos de espargos saem das instalações cooperativas embalados sob a marca Isla Bonita. Os restantes 30% destinam-se ao mercado nacional, quer com a marca Terras de Felgueiras, marca própria da cooperativa, quer sob marcas de intermediários. Rui Pinto quer potenciar a marca própria, melhorar a imagem, pois ainda não conseguiu conquistar mercado, e lançar-se em novos desafios e mercados. Atualmente, os espargos sob marca Terras de Felgueiras encontram-se à venda no Mercado Abastecedor do Porto, em pequenos supermercados da região e na loja da cooperativa.

Os espargos são comercializados em três formatos diferentes, de acordo com o calibre. Como explica Rui Pinto, os molhos são de calibre XL (acima de 16 milímetros), muito apreciados pelos espanhóis, L (entre 10 e 16 milímetros), requisitados pelo mercado nacional e fino (inferior a 10 milímetros), que os ingleses muito apreciam e que se assemelham ao espargo selvagem.

No mundo dos produtos normalizados, há sempre desperdícios, mas que podem constituir uma oportunidade. São os espargos que cresceram defeituosos e as sobras do corte para normalizar o produto nos 25 centímetros. Rui Pinto vê nestes espargos valor económico e quer avançar com novos projetos já no próximo ano. Como refere, “o mercado inglês é doido por cabeças e nos espargos defeituosos é possível aproveitar as cabeças, embala-se em vácuo e exporta-se”. O mercado inglês paga 12 euros por quilo, avança. O responsável adianta ainda que os três centímetros de caule que não são aproveitados no corte podem ser congelados e vendidos a empresas de catering como base para sopas.

O espargo, que pode ser encontrado de cor verde ou branca (esta espécie não apanha sol), não teve ainda grande aceitação em Portugal devido ao seu preço, um pouco elevado. É ainda considerado um produto de luxo. Já na Europa central é muito utilizado na gastronomia. Segundo Rui Pinto, promover o consumo de espargos no país é outro dos desafios.

A cooperativa já realiza ações de promoção que vão desde uma receita inserida no molho de espargos sob a marca Terras de Felgueiras, a ações de formação e showcooking e, em conjunto com a autarquia, introduziu o espargo na edição gastronómica local Sabores In. Aliás, já está agendada para 6 de maio uma ação para conhecer e degustar espargos, promovida na Cooperativa Agrícola de Felgueiras. O programa, que tem um custo de 10 euros, inicia-se com uma formação sobre a cultura de espargos, seguindo-se uma visita a uma produção local para, no final, os participantes assistirem a uma demonstração culinária com base em espargos e provarem essas especialidades, acompanhas do vinho verde da região.

Já todos sabem o valor do consumo de legumes e hortícolas na saúde, mas nem todos saberão os benefícios de comer espargos. O consumo deste hortícola, que possui ácido fólico, permite combater defeitos congénitos nos fetos e é essencial para um sistema cardiovascular saudável. O espargo é também um diurético natural e um bom alimento para a flora intestinal. De sabor suave, este hortícola é pouco calórico.

A comemorar 60 anos, a Cooperativa Agrícola de Felgueiras ambiciona também ter um papel no futuro da produção e comercialização do espargo em Portugal e na Europa. Com 4600 associados, a instituição tem no vinho verde o seu principal negócio. São mais de mil viticultores a vender as suas uvas à cooperativa, que através da sua associada Vercoope produz uma média anual de cinco milhões de litros de vinho verde e o comercializa.

A cultura do kiwi tem também forte expressão junto dos associados. Felgueiras é o concelho com a maior área de plantação de kiwis do país, totalizando 250 hectares, da responsabilidade de 100 produtores. A plantação começou há 35 anos no concelho e hoje a produção ascende a mil toneladas por exercício, 90% com destino ao mercado espanhol – o segundo país com maior consumo per capita do mundo de kiwi, só ultrapassado pelo Japão.  E prepara-se já a plantação de mais quatro hectares. Na sede da cooperativa de Felgueiras estão instaladas câmaras frigoríficas com capacidade para 1600 toneladas de kiwis. Todas as plantações estão certificadas com GlobalGap.

A Cooperativa Agrícola de Felgueiras é responsável por uma faturação da ordem dos nove milhões de euros anuais, com o vinho a valer quatro milhões. A plataforma de venda da instituição garante outros quatro milhões. Por sua vez, o kiwi vale perto de meio milhão de euros e o remanescente da receita é obtido através da prestação de serviços. A cooperativa é gerida por cinco administradores e possui 35 funcionários.

https://www.vidarural.pt/insights/espargos-houvesse-venderia/

Notícia - Produtores de carne de vaca minhota querem designação DOP e apoio da grande distribuição


Foi em 2013 que foi criada uma certificação para a carne de vaca minhota, um desígnio da cooperativa Agrominhota -Agrupamento de Produtores de Carne, Leite e Queijo de Raça Minhota e da Apacra – Associação Portuguesa dos Criadores de Bovinos de Raça Minhota que, cinco anos depois, querem conquistar uma Denominação de Origem Protegida (DOP) para este produto nacional.

Numa nota enviada às redações, estas organizações revelam que hoje “estão criadas condições de ampliação da comercialização do produto no comércio tradicional e nas grandes superfícies.”

Teresa Moreira, presidente da Apacra, acredita que a raça minhota é “o último segredo da produção nacional”. “Desejamos que todos conheçam as características de uma carne que surpreende pelo sabor e composição, de uma raça produzida numa zona do país que oferece condições de produções excelentes, designadamente biológicas”, acrescenta.

Nesse sentido, a organização pretende apostar na comunicação para demonstrar “o valor nutricional e gastronómico da carne minhota”, “um esforço de conquista do país de norte para sul, o qual permitirá que todos os portugueses descubram uma das nossas maravilhas da produção nacional.”

“Com vista a incentivar a descoberta para consumo doméstico, o esforço passará por ampliar a presença da carne minhota nas cadeias da grande distribuição, além das atuais insígnias Continente e Intermarché, e que estas também tenham o produto presente em todos os estabelecimentos”, defende ainda Teresa Moreira.

De acordo com os produtores, a raça minhota caracteriza-se por ser “a única raça portuguesa de tripla aptidão” – carne, leite e trabalho -, com alguns destes animais a atingir produções leiteiras superiores a 5000 kg aos 305 dias.

https://www.vidarural.pt/agroindustria/produtores-de-carne-de-vaca-minhota-querem-designacao-dop-e-apoio-da-grande-distribuicao/

Notícia - Auchan lança pão de cereais do Alentejo


A Auchan Retail Portugal assinou esta semana um protocolo com a fileira dos cereais do Alentejo que se irá traduzir na venda de pão produzido com cereais do Alentejo nas lojas da insígnia.

Capoulas Santos, ministro da Agricultura, marcou presença na assinatura do acordo e defendeu que “queremos tirar partido do que de melhor temos, em todos os setores. E os cereais do Alentejo são os melhores e dão o melhor pão do mundo. Esta é uma iniciativa que merece o agradecimento do Governo.”

O protocolo assinado entre a Auchan Retail Portugal e o Clube Português dos Cereais de Qualidade, a Certis – Controlo e Qualidade e a Cerealis – Indústria de Moagem vai impulsionar uma produção dedicada de cereais no Alentejo para que a Auchan disponibilize em todo o país pão produzido com estes cereais.

Pedro Cid, Diretor-geral da Auchan Retail Portugal, aproveitou a ocasião para mostrar que a empresa está aberta “a mais parcerias destas, onde podemos criar valor e onde o objetivo é a sustentabilidade da cadeia, um aspeto fundamental”, defendeu.

Já Fernando Carpinteiro Albino, Presidente do Clube Português dos  Cereais de Qualidade, sublinhou que “os cereais do Alentejo têm uma qualidade ímpar e são melhores que os importados”. Rui Amorim, Presidente da Cerealis, fez votos para que na sequência desta iniciativa “outros sucessos venham a caminho”.

Este lançamento está enquadrado na estratégia ‘Visão 2025’ adotada pela Auchan Retail Portugal e que promove a defesa do comércio responsável. Para a empresa, o produto agora anunciado está “totalmente integrado no conceito de agricultura sustentável, que assenta essencialmente na produção de bens seguros, com respeito pelo ambiente, desenvolvimento social e rastreabilidade. É um produto economicamente viável que respeita os ciclos naturais, minimiza impactos ambientais e beneficia uma região do interior do país.”

Recorde-se que em 2016 também o Continente anunciou o lançamento de um pão de cereais do Alentejo fruto de uma parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, o Clube de Produtores de Cereais de Qualidade com o associado ‘Cooperativa de Beja e Brinches’, a Gérmen Moagens de Cereais, SA e a Panificadora Marques Filipe, membro do Clube de Produtores Continente.

https://www.vidarural.pt/agroindustria/auchan-lanca-pao-de-cereais-do-alentejo/

Notícia - Portugueses criam patês de leguminosas como alternativa à proteína animal


Um grupo de estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um patê de leguminosas que pretende ser alternativa ao consumo de proteína animal ao mesmo tempo que promove o consumo de leguminosas.

O Legutê, nome dado ao patê desenvolvido pelos quatro estudantes, está disponível nas variedades de feijão, ervilha e tremoço e é um patê “100% natural, rico em proteína, fibra, vitaminas e antioxidantes e com baixo teor de gordura e zero colesterol”, de acordo com um comunicado da Universidade de Coimbra.

De acordo com os estudantes responsáveis pela ideia, “a oferta de proteína não animal no mercado é deficitária”, razão pela qual decidiram criar “um produto inovador que tivesse por base as leguminosas familiares da dieta tradicional mediterrânica”.

Esta é “uma forma de reinventar o consumo de leguminosas. O Legutê é um produto prático e ideal para qualquer ocasião, distingue-se pela resposta a uma oferta escassa de proteína não animal, sendo indicado para vegetarianos. Para além disto, é rico em fibras, vitaminas e sais minerais”, defendem.

Neste momento, os estudantes estão à procura de investidores junto da indústria alimentar e pretendem criar uma startup para avançar com a comercialização dos novos patês.

https://www.vidarural.pt/agroindustria/portugueses-criam-pates-de-leguminosas-como-alternativa-a-proteina-animal/

Notícia - Consumo de azeite cresceu 49% nos últimos 25 anos


O consumo mundial de azeite aumentou cerca de 49% nos últimos 25 anos. Os dados são do Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, que indica ainda que na campanha de 2017/2018 o consumo mundial de azeite registou um crescimento de cerca de 8%.

Os dados agora divulgados mostram que a produção mundial de azeite registou um incremento de cerca de 27% na campanha de 2017/2018. Em Portugal, o volume de azeite produzido chegou às 125 mil toneladas, numa campanha que o SIMA caracterizou como “excecional”.

Para além disso, os dados agora divulgados pelo SIMA indicam que, nos primeiros seis meses da campanha de 2016/2017, as exportações de azeite virgem extra e virgem aumentaram 36% em volume e 53% em valor, com o saldo comercial português em azeite a registar um aumento de 180 milhões de euros no período.

https://www.vidarural.pt/agroindustria/consumo-de-azeite-cresceu-49-nos-ultimos-25-anos/

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Vídeo - Comida S.A.

sábado, 19 de maio de 2018

Vídeo - Maravilhas Modernas: Cerveja

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Vídeo - Maravilhas Modernas: O Vinho


Ele eleva os espíritos e intoxica os sentidos. Deuses foram criados em sua homenagem, agora robôs o engarrafam. Ele já chegou a transformar príncipes em plebeus. Nada mal para uma coisa que nós balançamos, pisamos e escondemos no subterrâneo.
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